Supply Chain em 2027: tendências que estão transformando as operações logísticas
A inteligência artificial já entrou na agenda do supply chain, mas sua incorporação às operações ainda acontece em ritmos muito diferentes. Em pesquisa do Gartner com 140 líderes seniores da área, apenas 17% afirmaram buscar um redesenho imediato de processos e fluxos com IA. Os outros 83% seguem por aplicações pontuais ou expansão gradual. O dado expõe uma questão central para 2027: incorporar tecnologia exige também rever como processos, sistemas e informações se conectam.
Automação logística avança sobre mais etapas da operação
Em muitas operações, a automação começou pelas atividades mais repetitivas. Esse escopo está se ampliando. Triagem, movimentação, cubagem, pesagem e classificação de volumes passam a fazer parte de fluxos nos quais máquinas, sistemas e dados trabalham de forma conectada.
Para operações de alto volume, essa evolução responde a um problema concreto. Aumentar a demanda sem rever os processos internos pressiona capacidade, mão de obra e tempo de processamento. Quanto maior o volume movimentado, mais relevantes se tornam os gargalos existentes entre recebimento, separação e expedição.
Sorters automatizados, por exemplo, permitem classificar volumes de acordo com critérios definidos pela operação. Sistemas de cubagem e pesagem registram informações do objeto durante o fluxo. Esteiras conectam diferentes etapas internas. Cada tecnologia atua sobre um ponto específico, mas o ganho operacional depende da forma como essas etapas se relacionam.
O avanço está em identificar quais processos limitam a capacidade e aplicar automação onde ela reduz intervenções manuais, erros e tempo de execução.
Integração passa a determinar quanto valor a tecnologia consegue gerar
A automação física resolve parte do problema. Outra parte aparece depois que o equipamento gera a informação.
Peso, dimensões, destino e dados de processamento precisam alimentar outros sistemas utilizados pela empresa. Quando essa passagem depende de planilhas, digitação ou conferências paralelas, surge uma nova etapa manual entre a execução e a decisão.
Essa dificuldade está entre as principais preocupações dos líderes da área. Segundo o Gartner, 56% dos CSCOs apontam a integração da IA com sistemas e processos legados como um dos principais obstáculos para ampliar seu uso. A pesquisa ouviu executivos de empresas com faturamento anual de pelo menos US$ 250 milhões. (Gartner, 2026)
O dado ajuda a explicar por que a integração ganhou relevância nas decisões sobre tecnologia e operação. Uma solução pode melhorar determinada etapa e, ainda assim, gerar pouco impacto sobre o fluxo completo caso a informação permaneça isolada.
Na linha de equipamentos e balanças OneShip, os dados de cubagem podem ser enviados aos sistemas de gestão e utilizados em processos como estoque, faturamento e roteirização. As soluções da Pitney Bowes também possuem integração com o TOTVS Protheus, WMS, TMS e compatibilidade confirmada ou configurável com outros ERPs utilizados em operações logísticas.
Para o gestor, o impacto da integração aparece na redução de atividades intermediárias e na disponibilidade da informação para a próxima etapa do processo.
Escalar exige romper a relação direta entre volume e estrutura
Outro movimento relevante para 2027 é a busca por capacidade de processamento sem crescimento proporcional da estrutura operacional.
Em processos predominantemente manuais, mais pedidos costumam significar mais atividades, mais intervenção humana e maior pressão sobre a operação. Em períodos de pico, essa relação fica ainda mais evidente. O desafio passa a ser absorver variações de demanda sem reproduzir na mesma proporção os custos e gargalos existentes e absorver mão de obra, que no atual cenário está cada vez mais escassa
A automação modifica essa relação ao aumentar a capacidade de determinadas etapas e padronizar atividades que dependiam de execução manual. Os cases da Pitney Bowes mostram como esse impacto pode aparecer de formas diferentes na operação.
No Grupo Soma, a automação da separação e expedição registrou +40% de produtividade, além de reduzir de 72 para 24 horas o ciclo de Black Friday.
Em outra escala de operação, o Grupo Torra utiliza o OneShip Sorter Duplo em uma estrutura com 95 metros de automação, capacidade de até 6.000 volumes por hora e abastecimento de mais de 80 lojas.
Na Centauro, a implantação do OneShip Sorter no centro de distribuição de Extrema elevou a produtividade em 70% e passou a apoiar uma operação que abastece mais de 220 lojas, além do e-commerce. O projeto atua em um fluxo com mais de 40 mil SKUs e diferentes etapas de separação e expedição.
Já na Jadlog, no hub de Betim, a automação participa de uma operação de triagem de carga fracionada que combina leitura, cubagem, pesagem dinâmica e direcionamento de volumes por rotas. O sorter da unidade foi dimensionado para processar até 5.000 volumes por hora.
Os quatro casos mostram que o ganho da automação não aparece sempre da mesma forma. Em algumas operações, o impacto está na produtividade e no tempo de processamento; em outras, na capacidade de sustentar maior volume, ampliar o alcance da distribuição ou organizar fluxos mais complexos.
Essa lógica aproxima intralogística e decisões de negócio. O investimento deixa de ser analisado apenas pela velocidade de uma etapa e passa a considerar capacidade, produtividade, qualidade da execução e possibilidade de crescimento sem expansão proporcional da estrutura.
Inteligência artificial amplia o valor de uma base operacional conectada
A próxima camada dessa evolução está na inteligência aplicada às decisões.
O Gartner projeta que os gastos com softwares de supply chain que incorporam recursos de IA agêntica avancem de menos de US$ 2 bilhões em 2025 para US$ 53 bilhões em 2030. A previsão mostra a velocidade com que empresas e fornecedores estão direcionando investimentos para sistemas capazes de assumir tarefas e coordenar fluxos com maior autonomia.
Isso não significa que toda operação caminhará imediatamente para decisões autônomas. Quanto mais sofisticada a tecnologia, maior a dependência de uma base consistente de processos, integração e dados.
Uma operação que ainda possui informações fragmentadas entre equipamentos e sistemas encontrará limitações antes mesmo de explorar recursos mais avançados de IA. O mesmo acontece quando etapas físicas permanecem pouco padronizadas ou dependentes de controles paralelos.
Por isso, as tendências para 2027 também colocam decisões anteriores sob análise. Automatizar processos críticos, integrar a informação gerada e criar visibilidade sobre a execução formam a infraestrutura sobre a qual novas tecnologias poderão operar.
O próximo avanço começa pelos gargalos que já existem
IA, automação e sistemas mais autônomos ampliam as possibilidades das operações logísticas, mas a tecnologia só produz valor quando responde a uma limitação concreta. Um processo que não acompanha o crescimento do volume, uma informação que precisa ser digitada novamente ou uma etapa que concentra erros são pontos de partida mais relevantes do que adotar uma tendência isoladamente.
Uma base operacional conectada cria condições para ampliar capacidade e incorporar novas camadas de inteligência sem reconstruir processos a cada avanço tecnológico. Adiar essa evolução mantém gargalos ativos enquanto volume, complexidade e exigência sobre a operação continuam aumentando.