Inteligência artificial sai do piloto e acelera a intralogística no Brasil
São Paulo, julho de 2026 - Depois de anos concentrada em projetos-piloto e testes de inovação, a inteligência artificial começou a ganhar espaço nas operações logísticas com foco em resultados práticos. Em centros de distribuição e processos de intralogística, a tecnologia passou a ser aplicada para reduzir erros operacionais, otimizar a movimentação de mercadorias, melhorar a tomada de decisão e aumentar a produtividade.
Esse avanço também impulsiona uma nova fase da automação física, na qual equipamentos como esteiras transportadoras, sorters, sistemas de pesagem e cubagem deixam de atuar apenas como ativos operacionais e passam a integrar uma estrutura mais inteligente, conectada e orientada por dados.
Segundo o relatório Latin America in the Intelligent Age, publicado pelo Fórum Econômico Mundial (WEF) em parceria com a McKinsey, a inteligência artificial pode gerar entre US$ 1,1 trilhão e US$ 1,7 trilhão em valor econômico adicional por ano em toda a América Latina e elevar o crescimento da produtividade entre 1,9% e 2,3% ao ano. O estudo destaca que o desafio das empresas deixou de ser apenas testar a tecnologia e passou a ser ampliar sua adoção em escala para capturar ganhos concretos de produtividade e eficiência.
Na logística, essa escalabilidade depende não apenas de softwares e algoritmos, mas também da capacidade de conectar a inteligência artificial aos fluxos da operação.
Sistemas inteligentes já conseguem apoiar a priorização de pedidos, prever gargalos operacionais, otimizar a ocupação dos espaços, identificar padrões que antecedem falhas, auxiliar na alocação de recursos e fornecer informações em tempo real para que gestores tomem decisões mais rápidas e precisas.
Segundo Murilo Namura, Head de Equipamentos da Pitney Bowes, empresa global que fornece tecnologia, logística e serviços em todo o mundo, a inteligência artificial não é mais considerada uma tecnologia voltada apenas para automação, mas também uma ferramenta de apoio à gestão operacional.
"A intralogística produz um volume enorme de dados diariamente. O diferencial da inteligência artificial está justamente em transformar essas informações em decisões mais rápidas e assertivas. Em vez de apenas automatizar tarefas, ela passa a antecipar problemas e identificar oportunidades de ganho operacional, mas para isso precisa estar conectada aos equipamentos físicos, que movimentam a cadeia todos os dias”, afirma Namura.
Quando associados a equipamentos como esteiras, balanças dinâmicas, cubadoras e sorters, esses sistemas também contribuem para tornar a movimentação interna mais previsível, reduzir deslocamentos manuais e aumentar a capacidade de processamento.
Apesar do avanço, o especialista aponta que o maior desafio ainda não é a tecnologia em si, mas a capacidade das empresas de integrar dados de diferentes sistemas, equipamentos e processos para transformar essas informações em inteligência operacional. Hoje, a maior parte das organizações já utilizam IA em alguma etapa do negócio, mas muitas ainda enfrentam dificuldades para escalar as iniciativas e capturar ganhos consistentes em toda a operação.
Ainda conforme Murilo, esse cenário é especialmente relevante para operações logísticas, onde pequenos ganhos de eficiência podem representar impactos significativos em custos, produtividade e nível de serviço. Soluções baseadas em IA já permitem reduzir deslocamentos desnecessários, apoiar o planejamento das atividades e tornar processos internos mais previsíveis. Ao mesmo tempo, a adoção de equipamentos modulares, como esteiras transportadoras, pode funcionar como uma porta de entrada para operações que desejam iniciar a automação de forma gradual, contribuindo para operações mais ágeis e resilientes.
"A inteligência artificial não substitui a experiência das equipes, mas amplia sua capacidade de decisão. O futuro da intralogística passa pela combinação entre pessoas, automação e inteligência de dados. As empresas que conseguirem integrar esses três elementos terão operações mais eficientes e preparadas para responder rapidamente às oscilações da demanda e aos desafios da cadeia de suprimentos", conclui o porta-voz.